Poeta 26 de 102

Marina Guerra

FLAUTA

Domina a minha carne Tal qual um instrumento de sopro Oferece a mim os seus doces beijos Porque sou romântica, concedo Atinjo notas obscenas, Desafino no entremeio da canção, Reduzo o tom e produzo jazz Com a glória de um choro Dedilha os botões e abre-os Manuseia os metais do meu corpo Torna-me sua Recompensa a falta De todo dia solitário Que, entre refrões largos, Não houve música.

Marina Guerra cresceu em Itaquitinga (PE). Professora de inglês, explora a língua portuguesa na escrita.