Poeta 48 de 102

Efe Moura

AMÁLGAMA

reposição de palavra com veredito amplo de coração espalmado a abertura como visão horizontal de um tronco de árvore apreço também passa pelos seus olhos escuros, tem firmeza nas linhas quando alumia surge sua íris com anéis de tensão tronco de árvore que ao ser envergada, precisa de rotas de fuga sem queda desfavorável ao arraste beleza difusa em tarde de carinho assim, encharcada um calor do caralho do chuveiro sai fumaça mesmo estando no gelado te ouvi dizer que amava era como estar embaixo d'água vista de frente faço de mim diâmetro em vias espaçadas suprimida por seus arcos-íris-laços arranha comigo o vapor sem aversão aproxima de mim tua pele desce a trama elástica etiquetada expresso em massa o cabo-dobra rijo, te ouvi gemer do chuveiro sai fumaça mesmo estando no gelado

Efe Moura é artista independente, afropsicóloga e historiadora. Trabalha com crochê, pintura a óleo e escrita, explorando atravessamentos da alma e da linguagem.