Poeta 11 de 102

Constancia Màtos

QUASE FIM

Escorregar a língua na geografia das veias que saltam do seu antebraço tatuado. Morder a vontade de arrancar com os dentes um a um os pelos eriçados que reagem ao toque da minha boca na sua pele. Gritar por dentro contra a obsessão do meu olfato pelo seu cheiro. Acordar no meio da madrugada com os lençóis empapados de desejo e lágrimas porque deixei a mala na porta, dizendo que colocaria um ponto final no encontro dos nossos corpos — e quando dei por mim mesma tinha colocado outra...

Constancia Màtos é atriz, educadora do movimento somático e pesquisadora das relações entre corpo, saúde e subjetividade. É autora do livro Poemas ao Corpo Migrante (TAUP).